"Ser Botafogo é possuir uma espada de fogo e luz para enfrentar, iluminar e desbravar. É apreciar claras definições e alternativas extremas: o preto e o branco. É ser súbito, franco e seguro de si. É saber o que quer e querer o que sabe.
Ser Botafogo, é ser estrela solitária ou solidária, é tomar partido, ousar e desbravar, é insistir e crer onde os fracos desistem.
Ser Botafogo mistura nobreza sem aristocracia com popularidade sem demagogia. É furar, ultrapassar, chegar, enfrentar pedradas, tormentas e adversidades e sempre conhecer a melhor matéria do próprio sonho.
Ser Botafogo é saber desconfiar da desconfiança. É deprimir-se e recolher-se até voltar a labareda. Ai é bater de frente, olhar firme, detestar receio, medo, mentira e derrisão. É conhecer o risco e ousá-lo e fazer tudo com categoria e vontade de viver. É vencer.
Ser Botafogo é buscar a forma nobre de competir e saber empunhar a estrela solitária da vitória interior e a estrela solidária às melhores formas de amor. É fazer da vida, festa e furacão; flor e labareda; esperança e realização. "
[Artur da Távola]
Fundamental, histórico, meia armador, campeão, injustiçado pela seleção em alguns momentos. No final de semana do seu aniversário nada viria mais a calhar do que uma grande vitória num grande rival.
A vaga na decisão da Guanabara não tornaria este dia mais especial do que quando nasceu o ídolo, mas de alguma forma o homenagearia.
Talvez sozinho, sem o auê da imprensa, talvez em meio a amigos e parentes. Certo é que ele deve ter assistido ao jogo e tido a oportunidade de reviver a emoção de uma disputa como essa.
Entre os milagres de Jefferson e os grotescos momentos ofensivos onde o Botafogo se recusava a matar o jogo no fim, algo de especial ficaria guardado.
Ele, justo ele, protagonista tantas vezes, hoje cortava o bolo enquanto apenas torcia.
Mas no final das contas, tudo deu certo.
Nem mesmo a impressionante vontade de perder do Botafogo no fim foi maior do que sua vontade de ganhar nos demais 80 minutos de jogo.
E assim, na final, garantiu uma festa muito mais feliz ao ídolo.
Muito mais preocupante do que o vídeo, os termos e a polêmica, é a reação das pessoas. O vídeo mostra bastidores, algo que todo sujeito de meia noção de realidade sabe que existe, como funciona e ainda assim, quando aberto, choca.
Diria mais: O que foi pro ar foi a parte mais leve da preleção. Ali dentro deve ter tido gritos de “vamos acabar com os viadinhos!”, e do outro lado, “vamos fazer aquela cachorrada chorar de novo!”.
Porque? Porque é assim. É meramente uma palavra de incentivo para tirar o sujeito da zona de conforto, só isso. Qualquer pessoa que jogou bola na vida uma vez sequer sabe que isso existe, e não vejo nenhum motivo a não ser “viadagem” para repudiar que os torcedores possam ver isso de vez em quando.
Me incomoda a polêmica em torno de algo cotidiano. Você pode chamar um gay de “viado” durante 20 anos e nunca alguém vai sequer estranhar. Mas chama com uma camera ligada ou numa rede social pra você ver o show de hipocrisia que isso gera.
Ser natural incomoda. As pessoas preferem fingir que não sabem como funciona meramente pra fazer cara de susto e, na sequencia, fazer um belo discurso numa rede social qualquer.
Outro dia o Felipão foi condenado pela imprensa porque dizia no vestiário pra “cuspir”, enfiar a mão na cara, etc. Era Corinthians x Palmeiras, semifinal de Libertadores. Acredite: o menor pontapé sem bola faz parte daquilo. Se não fizesse, seria só mais um clássico.
“Po, Perrone! Então você é a favor da violência? “.
Claro que não, cacete. Mas o que se usa pra incentivar, deixar o sujeito pilhado não é pra levar ao pé da letra. Quando você diz numa briga que “vai matar fulano”, você não vai. Quando diz que “agora é guerra”, não é.
São termos, formas, rituais do futebol que são usados para fazer subir sangue nos olhos dos jogadores antes do jogo. Só isso.
O Oswaldo, que considero um tremendo “morto” para o cargo de líder, me surpreendeu até. Acho bom técnico, mas acho péssimo para lidar exatamente com essas situações. Seu time joga bem mas vibra pouco. E se ele está começando a pedir mais vibração, “entrar na pilha”, etc,… Ótimo!!
“Mas você não acha um absurdo o Botafogo colocar isso em seu site oficial?”
Não! Claro que não! Ele está abrindo pra torcida um momento de bastidor, uma curiosidade, algo bacana, interessante. Que puta bobagem o Fluminense se sentir ofendido com isso. Só porque a preleção do Abel não foi pro site? Então coloca ué.
Um dia será revelado ao mundo que celebridade vai ao banheiro, que sua mãe faz/fez sexo com seu pai, e então teremos uma geração internada fazendo terapia para “superar” mais esse trauma.